Uma decisão difícil, mas necessária: o ciclo olímpico já estava comprometido

Texto por: Nayara De Stefani | Colaboradora do Blog Soul Brasil Esportes



A pandemia do novo coronavírus segue fazendo história no esporte. Após a paralisação de quase todos os eventos esportivos em todo o mundo, o primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, e o presidente do COI, Thomas Bach, anunciaram que os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 foram adiados para 2021. Será a primeira vez na história que as Olimpíadas serão adiadas e acontecerão foram do ano definido na Carta Olímpica. A informação veio um dia após uma reunião em que o COI decidiu por não decidir nada, e informou que daria o prazo de 1 mês para definir sobre qualquer questão de adiamento, e teve participação direta de Shinzo. A interferência do chefe de estado japonês comprova o quanto o COI estava relutante em modificar a data dos jogos.


Ainda que parecesse inevitável a não realização das Olimpíadas a partir de 24 de julho desse ano, uma série de fatores fez com que o Comitê Olímpico Internacional evitasse mexer com a data dos jogos, especialmente de ordem econômica e organizacional.


Mas e quanto aos atletas e aos aspectos esportivos? Antes mesmo do adiamento ser confirmado, já era fato que todo o ciclo olímpico tinha sido afetado: atletas sem poder treinar para chegar no auge às Olimpíadas, não tendo de perto o acompanhamento nutricional, psicológico e de fortalecimento que fazem parte da rotina de preparação para um atleta de alto desempenho, além de diversas etapas classificatórias suspensas – 43% das vagas nas Olimpíadas ainda estavam em aberto. Independente da decisão que o COI tomasse, os atletas já estavam prejudicados.


Visando o bem estar e aproveitamento esportivo, adiar foi a melhor decisão que os organizadores poderiam tomar. Caso os Jogos tivessem sido mantidos, todo o desempenho seria severamente comprometido, preparações, esforços e sacrifícios de anos seriam sumariamente descartados dando lugar à ações emergenciais de treino, logística, preparo físico e mental.


No entanto, o adiamento também interfere muito na preparação de atletas. Todo o planejamento foi feito pensando em 2020. Os profissionais que acompanham os atletas traçaram metas para que o auge acontecesse agora em julho. Um ano pode significar uma diferença grande em algumas modalidades, como as que possuem categorias dividas por peso ou que dependem de classificação por ranking. Para os atletas paralímpicos, um ano é ainda mais sensível e suscetível a mudanças, devido à categorização de cada esportista pelo grau de limitação física, que pode variar no período de adiamento.


Em um primeiro momento, as atenções do COI e Comitê Organizador estarão na questão econômica, em rever estruturas, contratos e toda a parte organizacional, mas esperamos que a parte esportiva e humana também seja levada a sério. Que Thomas Bach mantenha seu discurso de trabalhar em conjunto com as Federações esportivas de todos os países, visando minimizar os impactos na vida dos atletas, readequando o calendário esportivo ao longo do próximo ano para que todos possam ter a oportunidade de demonstrar o trabalho sério e comprometido já realizado, que tinha como objetivo fazer atletas brilharem entre julho e agosto de 2020.

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