Atleta: eduque a ação!

Por Ricardo Torrado, Capitão do time Apoio Pedagógico.


Caro(a) atleta!!


Hoje compartilharei com você uma história real e especial. Trata-se do que ocorreu com um amigo de infância que, por respeito, preservarei o nome - chamando-o apenas de PL - e as organizações esportivas/educacionais por onde ele passou.

PL era um menino muito simples, humilde e querido. Divertido, brincalhão, amigo. Tinha uma habilidade esportiva diferenciada. Era um craque do futebol. Na escola, muito bom aluno. Dedicado e atento.


Lembro-me que, com pouca idade, PL já tinha conquistado muitos fãs. Inclusive eu, meu irmão, meus pais, meus amigos e colegas. Todos gostavam de ver o PL jogar, nas ruas, nas quadras, nos campos.


Não demorou muito e PL começou a despertar interesse de alguns clubes. Muitos queriam leva-lo para fazer um teste e começar a treinar.


E, aos 14 anos, PL passou na peneira e começou a treinar num grande clube de São Paulo. Foi uma grande conquista e todos os amigos e familiares passaram a acompanha-lo nos campeonatos, torneios, até chegar a Copa São Paulo de Juniores, principal competição nacional para atletas de futebol de base.

Foi uma festa vê-lo na televisão, jogando por um grande clube. Lembro que os amigos se reuniam para ir ao estádio torcer por ele.


Como era de se esperar, PL se destacou na competição e alguns convites para profissionaliza-lo começaram a surgir. E, em meados de janeiro de 1998, surgiu a oportunidade de não apenas se profissionalizar, como também de jogar na Europa.

Isso mesmo, aquele garotinho, simples, humilde, querido, se tornara uma promessa do futebol mundial.


O orgulho e a alegria tomava conta de todos nós, afinal era o nosso amigo vencendo na vida fazendo o que mais amava: jogar futebol.


Lembro que os valores do contrato eram muito altos, e a humilde família de PL começava a se planejar para uma nova realidade. Nova casa, nova cidade, novo país. Outra cultura e costumes. O primeiro mês de PL na Europa não foi muito bom, mas todos sabiam que a adaptação seria difícil no começo. Mantínhamos contato e PL dizia estar com dificuldades, mas não detalhava quais.


O tempo passou e as coisas só pioravam. Passamos a não ter mais notícias do PL, não o víamos nos noticiários e tampouco conseguíamos falar com ele. A família tinha poucas notícias, apenas que ele estava “bem”.


Lembro que eu e meus amigos começamos a pensar que PL tinha de fato mudado, que passou a viver uma outra realidade e, portanto, esquecido dos que ficaram.

Mas, alguns meses depois, recebi uma ligação de PL, chorando e implorando por ajuda. Meu amigo estava abandonado em um país em que ele não conhecida o idioma, não tinha dinheiro e tampouco alguém próximo para ajudá-lo.

PL e sua família havia caído em um golpe de falsos empresários ou de empresários desonestos.


Rapidamente mobilizamos uma maneira de ajudar PL, através de “vaquinha” (doação em dinheiro), mas o caso era bem complexo, pois havia questões contratuais e os documentos dele estavam com seus empresários.


Algumas semanas depois, as questões burocráticas com documentação foram sanadas e o dinheiro arrecado com as doações foram suficientes para trazer nosso amigo de volta.


Lembro que fomos todos recepciona-lo no aeroporto, com muita festa em sinal de apoio.


Mas PL chegou cabisbaixo, triste, decepcionado. Pediu desculpas a todos por sua “derrota” e “desilusão”. Fomos todos compreensivos e procuramos reanima-lo a voltar a jogar e procurar outros clubes no Brasil.


PL até voltou a jogar, mas não mais com a mesma alegria. Não mais com a mesma energia. Encerrou a carreira jovem, em um pequeno clube no interior do país, um ano depois.


Durante muito tempo PL ficou isolado, deprimido. Sua família, o mesmo. Até porque a frustração foi de todos.


Mas, alguns meses depois, uma nova chama em PL se acendeu: a educação.

PL havia comentado com alguns amigos próximos que a segunda coisa que ele mais gostava e sabia fazer era estudar. Então, procurou retomar os estudos.

Com seu excelente talento esportivo, PL conseguiu uma bolsa de estudos integral em uma faculdade particular de São Paulo. Passou a estudar, treinar e competir pela Instituição de Ensino.


Quatro anos depois, se formou em Educação Física. Dois anos depois, concluiu uma pós-graduação em Psicologia Esportiva. Se tornou professor universitário, pesquisador e orientador de trabalho acadêmico.


Desenvolveu um projeto para orientar jovens atletas quanto às suas carreiras e vida profissional/pessoal, dividindo suas experiências de vida, dentro do esporte e da educação.


PL continuou sendo um orgulho para sua família e amigos, e principalmente para seus alunos e atletas.


Podemos concluir, por meio desta história e de tantas outras similares, que a educação é papel fundamental na vida de qualquer pessoa, incluindo o atleta.

Ter educação, informação, orientação, conhecimento, faz com que possamos refletir, raciocinar e decidir em momentos complexos e de grandes mudanças.


E, momentos complexos e de grandes mudanças acontecem na vida de qualquer pessoa. Por isso, devemos estar preparados para vários planos e possibilidades.

Valorize a educação, sempre!!!


Insigths Educacionais para você, atleta.

  • “Jamais subestime a sua inteligência”

  • “Para ser uma pessoa interessante, seja uma pessoa interessada”

  • “Tudo é possível desde que você dedique seu tempo, seu corpo e sua mente” – Michael Phelps, nadador.

  • “O esporte deve ser aliado da educação, e não concorrente”.

Indicações

  • Livro: Cartas a Um Jovem Atleta: Determinação e Talento: O Caminho Da Vitória – Autor: Bernadinho

  • Filme: Race (Raça) a vitoriosa história do esportista americano Jesse Owens.

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