Antes do BBB, você conhecia o Paulo André?


Se eu perguntasse, 2 semanas atrás, se você conhecia o velocista brasileiro Paulo André tenho certeza que sua resposta seria não. Hoje, o atleta semifinalista olímpico de 2020 e mundial de 2019, e medalhista de prata no Pan 2019 nos 100m rasos é mais um dos personagens que habitam a casa mais vigiada do Brasil, o BBB.


Campeão mundial do revezamento 4x100, P. A. é um dos brasileiros mais rápidos do nosso país. Pela primeira vez na história, um brasileiro correu abaixo dos 10s nos 100m com a marca de 9s90. Infelizmente o resultado foi invalidado devido ao vento, que estava marcando 3.2 m/s na hora da prova. O limite estabelecido pelo regulamento da World Athletics, o limite é de 2.0 m/s.


Patrocinado pela Nike (apenas material esportivo), contemplado do programa Bolsa Atleta (R$2000 mensal), parte do Programa de Alto Rendimento (PAAR) das Forças Armadas (R$4500,00 mensal) e apoiado pela Confederação Brasileira de Atletismo (R$1650 mensal), ao aceitar o desafio do BBB, ele está se arriscando. Pode ser suspenso e perder todos esses auxílios.


Quando um atleta recebe auxílio do governo ou até mesmo faz um contrato com uma empresa privada, ele assume responsabilidades. No caso do Bolsa Atleta, por exemplo, deixar de treinar ou faltar às competições oficiais de que se deve participar sem justa causa pode ser um fator de suspensão do auxílio.


Além dos compromissos com os patrocinadores, por ser atleta profissional, P. A. ainda precisa manter seu paradeiro atualizado diariamente em um sistema internacional chamado Adams, de controle anti-doping. Sabemos que ele está na casa do BBB, mas durante o confinamento pré-programa? Fica a dúvida se Paulo foi beneficiado e liberado pela Globo para receber o oficial que colhe a urina do atleta, ou se ele infringiu a regra de comunicar onde estava.


A discussão que veio à tona nos últimos dias é se vale a pena um atleta com o histórico do Paulo arriscar tanta coisa para participar de um reality show. A questão financeira sempre vai falar mais alto. Somando os 3 auxílios que recebe (valor aproximado), a renda mensal pode chegar a 8 mil reais - valor que para muitos atletas já é considerado alto.


Diante de todo esse cenário, dá para avaliar mesmo que de maneira superficial, que Paulo pode perder muito mais do que patrocínio. A perda também pode incluir a vaga nas olimpíadas de Paris - que inclusive ando sendo questionada. Seu pai, ex-atleta e atual treinador, foi contra a ida para o BBB. Para ele, ficar 3 meses confinado sem estrutura de treinamento, é como perder 1 ano de treinos, e isso, com certeza teria um impacto gigante no preparatório dele.


Confesso que a minha opinião ainda é dividida. Apesar de arriscar algumas previsões, é impossível saber o que passa na cabeça de outra pessoa. Da mesma maneira que posso falar que foi um erro o Paulo jogar para o alto, treinos, tempo e dedicação por 1.5 milhão de reais, também entendo a projeção que o BBB dá para os seus participantes. Muito mais que visibilidade e eventualmente prêmios, o BBB ajuda a construir novos posicionamentos de mercado, e até carreira. Além de todas as oportunidades pós-programa que muito provavelmente extrapolam os valores recebidos pelo P. A antes do confinamento. Importante ressaltar que esse cenário é levando em consideração que o Paulo André tenha uma participação positiva durante o programa, em caso de gerenciamento de crise, a história muda, e muito, de percurso, mas isso... é assunto para outro texto.


Importante lembrar que a carreira de atleta tem prazo de validade, e nem sempre uma oportunidade como o BBB bate na porta mais de uma vez. E justamente por isso, volto a te perguntar: você sabia quem era o Paulo André, duas semanas atrás, antes da estréia do BBB 2022?

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